Verborreia

Vocemecês devem estar a pensar: que verborreia deu neste gajo para escrever tanta coisa quando esteve calado durante tanto tempo.

A culpa é da casta Baga do Luís Pato, vinhas velhas. Dêem-me um copo de vinho se querem ouvir as verdades: in vino veritas.

Foi exactamente o Luís Pato que me fez perder a cabeça com vinho. A primeira garrafa de mais de 25 euros que comprei era um Luís Pato, de vinhas com mais de 100 anos. Depois disso, não parei mais. Mas nesta incursão pelos vinhos de qualidade, descobri que os melhores nem sempre são os mais caros. Já bebi muita merda que me custou mais de 100 euros por garrafa. E o eleito continua a ser o Quatro Castas da Herdade do Esporão, que custa apenas 13 euros.

Conheço um enólogo que diz que quem gosta de vinho do Alentejo, não sabe o que é vinho: PALHAÇO.

Não sou regionalista nos vinhos, gosto de vinhos do Douro, de Foz Côa, do Dão, das Beiras , do Alentejo e do Algarve, e até já bebi umas merdas francesas razoáveis. Mas neste momento, para além de um Pêra Manca muito especial, o eleito é o Quatro Castas alentejano.

António Maria

As promised, hoje bebi uma garrafa de António Maria, tinto 2002. Não é tão convidativo e equilibrado como o Pera Manca, mas tem também um largo espectro de sabores, o que lhe transmite uma riqueza que justfica o preço (eh eh eh). Na minha humilde opinião de bêbedo inveterado, o António Maria 2002 tem uma percentagem demasiado elevada de casta Aragonês, o que lhe dá um sabor demasiado adstringente.

Estranho… porque o Aragonês velho (2002) do Esporão acaba por perder a adstringência com o tempo de armazenamento em garrafa.

Mas OK, não é mau de todo o António Maria. De qualquer forma, na próxima abro uma garrafa diferente. Talvez um “Côtto (tinto1), Grande Escolha de 2000″ (Touriga Nacional e Tinta Roriz)2. Depois digo qualquer coisa.

1 Algum dos leitores bebe vinho branco? Alguém, para além do James Bond, quando tenta levar uma gaja para a cama (demanda onde tem 100% de sucesso), já viu um homem a beber vinho branco?

2 Vinho do Douro, vinho bom, como diria o José Duarte.

Cagar ouro

Em 1996, quando estive pela primeira vez no Japão, entrei num restaurante ao acaso na cidade de Atami, e serviram-me um prato confeccionado com pedacinhos de folhas de ouro.

Apesar das folhas serem finíssimas, muito pouco daquele ouro terá sido absorvido pelos intestinos.

No dia seguinte, pela manhã, depositei na sanita o meu cagalhão mais dourado de sempre!